#Crítica Noel Gallagher’s High Flying Birds

22 de jan. de 2012

Como ainda não tivemos nenhum grande álbum que em 2012 apresento-lhes minha opinião sobre o álbum de estreia de uma das pessoas que eu mais admiro na música, Noel Gallagher é sem dúvida um ícone para qualquer um. Impossível achar alguém que já não teve um momento embalado por uma de suas canções...

Mas eu não admiro só o compositor Noel mas sim a pessoa, antes do lançamento do álbum ele convocou uma coletiva para falar sobre o lançamento que estava por vir, sempre muito austero, orgulhoso e taxativo, foi logo dizendo que não queria ter que recontar toda a história que envolve o rompimento do Oasis em todas as entrevistas e portanto essa era a ultima oportunidade de ouvirem tal história de sua boca. Disse também que abominava o fato de ser obrigado a recomeçar tudo de novo, praticamente do zero a essa altura de sua vida. Mas foi surpreendentemente humilde ao assumir que suas gravações iniciais haviam sido consideradas horrorosas pelo então produtor do álbum Dave Sardy e por isso teve que refazer praticamente todas elas. Espantou-me ao ver que diferente do seu irmão, Noel não destratou o Beady Eye, porém não falou do Liam, fez referencia apenas aos seus ex-colegas de banda. No final de tudo soltou uma frase "Estampem em todos os lugares ISTO NÃO É OASIS".

Eu assisti a essa entrevista no VH1 essa semana e isso me inspirou a escrever sobre ele. Fato é que por trás de toda essa pose que o Noel quis implantar, há sim muito de Oasis nesse disco, como todos que gostam dele devem ter percebido. Basta ouvir "Stop The Clocks", essa música serviu até para nomear uma compilação do Oasis, mas nunca foi lançada pela antiga banda. Se quiser mais do Oasis ouça "I Wanna Live In A Dream (In My Record Machine)" que é claramente uma daquelas baladinhas de sinfonia legal que embalaram alguns dos melhores momentos do Oasis. Mas existe muito mais também, para quem está realmente disposto a encontrar. E é ai que se encontra a grande diferença: Noel Solo é definitivamente um Noel cheio de detalhes.

Prestando mais atenção em "AKA... Broken Arrow", por exemplo, encontramos esses bongôs, algo que raramente se encontraria em uma música do Oasis. E curiosamente esse instrumento joga muito a favor da canção, dando a ela uma sensação de que é mais rápida do que realmente é. "(Stranded On) The Wrong Beach", é sem dúvidas uma herdeira das músicas cantadas por Noel em Dig Out Your Soul, álbum de despedida do Oasis, é uma canção interessante onde a guitarra country se junta ao baixo pulsante e a uma nota única de piano tocada muito rapidamente. O resultado, vocês podem conferir, é a música mais encorpada do Noel em o quÊ, cerca de 10 anos ou mais. Mas mesmo assim ela consegue ser simples e despretensiosa.


McCartney empresta o riff de piano de "Nineteen Hundred And Eighty Five" para Noel em "AKA... What A Life", que eu definiria como uma música... Disco, disco yeah yeah!
Ela tem um piano e uma bateria acelerados bem ao fundo e Noel mantém o vocal suave e capricha bastante nas falsas investidas, criando um cruzamento improvável entre o Oasis e... sei la, Bee Gees. Viajei... 
Mas eu achei essa música tão disco que não seria nem um pouco estranho se as moçoilas do ABBA misteriosamente aparecessem ali no meio da música com suas vozes estridentes. Acho até que ficaria legal, ta bom, parei...

Continuando, temos "The Death Of You And Me" que foi o single de estreia e para mim é a melhor música do álbum, é o momento jazz do Noel, meio que uma mistura das Big Bands dos anos 50 (Reparem nos metais da música) com  puros momentos de rock britânico, eu achei simplesmente uma obra-prima.


Os Kinks, referência em “The Death Of You And Me”, Recebem uma homenagem em “Soldier Boys And Jesus Freaks” tanto na letra (“All the people in the village green…”) como na melodia. Nessa faixa, o groove do Noel se mostra em sua melhor forma.

Acho que é mais ou menos isso, cada componente das músicas é uma peça do quebra-cabeça de Noel, aquele que aprendemos a amar. Suas fortes guitarras, os teclados épicos, os coros arrepiantes, as letras por vezes românticas, outras vezes existencialistas e os solos virtuosos, tudo esta ai, como se o Oasis realmente nunca tivesse acabado, apenas perdido sua voz principal. Noel não se arrisca muito nas canções, não inventa moda cantando, como ele sempre disse: "Wu não sou um cantor, sou um compositor que canta", e ele carrega tudo que se espera dele. E o que esperamos de Noel Gallagher é sempre o épico, o impressionante, o arrebatador, o que nos deixa atônito.

O mais velho dos Gallagher's de fato pode se orgulhar, pois está taxado em todos os lugares. "Não é Oasis". E talvez não seja, mas é primo de primeiro grau. Se a banda jamais resolver as diferenças e clássicos como "Live Forever" e "Masterplan" nunca mais puderem ser tocados da forma como deveriam ser, pelo menos teremos isto, e "isto" é bem mais que um disco: Podemos chamar de um honesto passo adiante. Para onde, o Liam nem sonha e talvez o Noel também não saiba. Mas é fato que ele está voando alto!